sexta-feira, janeiro 12, 2007

A SEGURANÇA VAI MELHORANDO... DEMASIADO DEVAGAR

ACESSOS AO VIADUTO DO CASAL DO GRILO COMEÇAM A TER PASSEIOS

Depois de finalmente estar marcada a sinalização horizontal, com a pintura dos traços contínuos, a Câmara começou agora a construir passeios no lado norte.
Por enquanto é só de um lado, mas a esperança é a última a morrer...
Quanto ao Viaduto propriamente dito, aí tudo na mesma. À Estradas de Portugal tanto lhes faz "assim, como assado". Desde que não gastem um cêntimo... Até ao próximo acidente grave?

PROPOSTA DE LEI DO BLOCO ALVO DE VÁRIAS CRÍTICAS

O ENSINO MULTILINGUE
- A opinião da deputada Cecília Honório

Ao projecto de lei do BE sobre a introdução de turmas bilingues, em contextos onde uma comunidade imigrante tem uma forte ou maioritária expressão, o Partido Socialista disse não. Do CDS ao PS, passando pelo PSD, o discurso a favor do assimilacionismo triunfou. A este largo espectro maioritário é indiferente, como o demonstram os estudos e defendem os especialistas, a realidade: que a escola que não fala e não prestigia a língua materna das crianças com mais dificuldades a português é uma escola que conduz ao desinteresse e potencia o insucesso.
O estudo "Diversidade Linguística na Escola Portuguesa", coordenado por Maria Helena Mira Mateus, assinala as crianças oriundas de Cabo Verde e da China como aquelas que têm mais dificuldade na relação com o português. Esta especialista reconhece que os alunos imigrantes devem aprender português, mantendo a língua de origem, e que a integração passa pelo domínio dos dois idiomas.
Mas os poderes resistem a estudos e realidades. No estudo já referido encontraram-se 58 línguas diferentes em 410 escolas inquiridas. Dessas línguas, o crioulo de Cabo-Verde, o Guzerate, o Mandarim e o Ucraniano, correspondem a 50% do conjunto das crianças e jovens que não têm o português como língua materna. Por outro, os estudos evidenciam que os alunos originários dos PALOP se localizam maioritariamente em Lisboa (e são de São Tomé, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Angola).

TRABALHO RESISTENTE NÃO FOI RECONHECIDO
Há muito trabalho em Portugal de pessoas que foram introduzindo os problemas do domínio da língua portuguesa a custo e desfazendo a custo a leitura do insucesso das crianças oriundas dos Palop pelo lado das condições sociais desfavoráveis e das limitações intelectuais. Mas o largo espectro maioritário que se uniu no parlamento não está interessado neste trabalho resistente, que foi lutando contra as excrescências do colonialismo.
Há, também, por esse mundo fora, inúmeras experiências de bilinguismo, dos Estados Unidos, à Alemanha, ao Canadá ou a França, onde a aprendizagem da língua materna é um direito reconhecido aos filhos de imigrantes no 1.º ciclo. Há, ainda, em Portugal, importantes experiências neste campo, nomeadamente em jardins-de-infância. É o próprio Rui Marques, Alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, que defende no prefácio à obra de Dulce Pereira, Crescer Bilingue: "Num contexto de construção de uma sociedade intercultural, a defesa do bilinguismo tem todo o sentido e representa uma expressão concreta de respeito pela diversidade. Proporciona a cada uma destas crianças, descendente de imigrantes, a possibilidade de, simultaneamente, se sentir com um lugar pleno na sociedade de acolhimento e de manter o vínculo às origens." Mas o parlamento decidiu continuar a mastigar a diferença para a acondicionar ao bolo alimentar dos mais poderosos.

UM PROJECTO DE LEI EM SINTONIA COM A VIDA
O projecto de lei do BE abria caminhos no sentido inverso: a possibilidade de, nos primeiros anos de escolarização, as crianças que não compreendem o português, ou o fazem com muitas dificuldades, serem acolhidas por um professor da sua língua materna e por um professor de português; a possibilidade de, em contextos que o justifiquem, as turmas bilingues se poderem estender até ao ensino secundário; a possibilidade de se poder leccionar uma ou mais disciplinas em língua parceira, ou de esta poder ser opção de segunda ou terceira língua, ou mesmo opção não curricular; a possibilidade de se investir nas tutorias.
Enquadrado na Resolução do Parlamento Europeu, aprovada por maioria, sobre a integração dos imigrantes na Europa através de escolas e de um ensino multilingue, a proposta era a de deixar as escolhas às escolas e às famílias e deixar ao ministério a aferição da razoabilidade das escolhas e a criação de condições para a sua implementação, articulando com essa porta aberta ao nível da Europa de uma rede de escolas que incentivem a integração pelo multilinguismo.
O BE mantém e continuará a defender que o futuro das crianças e jovens, filhos de imigrantes, depende do reconhecimento dos seus direitos de língua e de uma escola intercultural.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

AUTARCAS DA FREGUESIA DE Nª Sª DE FÁTIMA CONHECEM PLANO PARA A FREGUESIA

REFORMULAÇÃO DO TRÂNSITO APRESENTADA NA QUINTA-FEIRA

A DOM, empresa que está a estudar o plano de reformulação do trânsito da zona norte da cidade, fez nesta quinta-feira uma apresentação no Salão Nobre da Câmara Municipal.
Afinal, nessa reunão, a Câmara limitou-se a dizer o que iria fazer "rápidamente" e a partir de agora, cortando cedo o passo a quaisquer sugestões. Propostas de alteração só por escrito e fundamentadas, ali não seriam abordadas.
Um plano de reformulação do trânsito na zona norte da cidade já havia sido aprovado em 2003. Esse plano não chegaria, no entanto, a ser implementado. Em Julho do ano passado, o PSD apresentou então nova proposta.
Genericamente, o novo plano consiste no alargamento do número de arruamentos com sentido único. Em Julho último, face ao essa generalização de sentidos únicos e à (habitual) recusa de aceitar qualquer sugestão de melhoria, o Bloco votou contra, na reunião de Câmara. O PS absteve-se e o PSD, claro, votou favoravelmente.
Foi esse plano que ontem apresentado aos autarcas da freguesia de Nª Sª de Fátima.

Recordamos que, anteriormente, em Moção proposta pelo Bloco de Esquerda e aprovada na Assembleia da Freguesia a norte da cidade, estes autarcas haviam reivindicado o direito de serem ouvidos sobre um plano de trânsito que terá incidência especíica na sua área.
Na reunião de ontem à tarde, além do técnico da empresa, participaram o Presidente da Câmara, Jaime Ramos e o vereador do pelouro, Luís Filipe Boavida. Da parte dos autarcas da freguesia, todos os partidos participaram . Pelo Bloco de Esquerda, esteve presente Virgilio Rafael

quarta-feira, janeiro 10, 2007

PELO "SIM" NO REFERENDO

É PRECISO VOTAR!

De visita ao Entroncamento, Luís Fazenda, líder da bancada parlamentar do Bloco de Esquerda, insistiu permanente num ideia: em 11 de Fevereiro é preciso votar, para acabar com a humilhação das mulheres.
Luís Fazenda começou por contactar e distribuír propaganda aos trabalhadores da EMEF, à saída do trabalho, cerca das 17 horas. A recepção foi francamente favorável, com muitos trabalhadores a cumprimentar o dirigente bloquista.
Uma equipa de militantes do Bloco de Esquerda acompanhou depois Luís Fazenda na distribuição de comunicados, à saída da estação da CP.
Esta acção para o voto no Referendo teve a cobertura de vários orgãos da comunicação social, entre os quais a RTP.

O BLOCO DO ENTRONCAMENTO PARTICIPOU

MOVIMENTO "VOTO SIM" ENTREGA ASSINATURAS
O Movimento Voto Sim entregou nesta quarta-feira, na Comissão Nacional de Eleições, 11211 assinaturas de cidadãs e cidadãos.
No acto de entrega, estiveram presentes alguns dos mandatários e mandatárias, entre os quais, as deputadas e deputados Alda Macedo, Cecília Honório, Maria Antónia Almeida Santos, Mariana Aiveca, Miguel Relvas, Ricardo Rodrigues, Sónia Fertuzinhos, Victor Ramalho, Helena Pinto, Jorge Neto, Miguel Coelho, Teresa Portugal e o cantor Janita Salomé.
A estrutura local do Bloco de Esquerda participou na recolha de assinaturas para este movimento, tendo recolhido mais de 300 assinaturas na cidade, através de contactos individuais.

E NÓS A PAGAR...

EX-ADMINISTRADOR DA CP ESTÁ HÁ SEIS ANOS SEM FAZER NADA, MAS A RECEBER 3500 EUROS POR MÊS

- Arménio Matias, farto de boa vida, rescindiu com a empresa

O antigo administrador, além de 3500 euros por mês, tinha carro, telefone e uma secretária à ordem, também sem nada que fazer. Tudo por conta da empresa. Contas feitas a estes gastos, o encargo anual da CP rondava os 100 mil euros.
Só que, segundo confessa num blog pessoal, "desde que saí da administração da Rave, em meados de 2001, que os sucessivos conselhos de gerência da CP me não atribuíram qualquer função ou tarefa. Em audiência que pedi para o efeito a cada um dos presidentes, no início dos seus mandatos, sempre lhes comuniquei que estava ao serviço da CP e aceitaria qualquer função que me fosse atribuída. No entanto, a minha actividade durante esses cinco anos e meio limitou-se à participação em três reuniões de quadros da empresa."

HÁ MAIS
Mas o caso nem é único, pois "prateleiras douradas" são às dezenas na CP. O jornal Público de ontem revela mais uma ou duas situações idênticas.
"Recentemente, Manuel Caetano, quadro da mesma empresa e ex-administrador da Fernave, rescindiu o contrato por sua iniciativa. Um dos casos mais emblemáticos é o do antepenúltimo presidente da empresa, Martins de Brito, que, tendo sido despedido pelo então ministro António Mexia em Setembro 2004 e alegadamente colocado no gabinete da terceira travessia do Tejo, acabaria por ficar sem fazer nada." Segundo o matutino Público, cada "emprateleirado" recebe entre 2900 e 3500 euros por mês sem pôr os pés na empresa, pois têm dispensa de assiduidade.
Agora percebemos melhor porque tem de subir o preço dos bilhetes e das assinaturas para os comboios.

terça-feira, janeiro 09, 2007

OPINIÃO QUE CONTA... PELO "SIM" NO REFERENDO

SERENIDADE MÁXIMA, INTOLERÂNCIA ZERO!
- A opinião da deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca

Somos diariamente confrontados com imagens chocantes, cartazes com frases arrepiantes, noticias e mensagens invocando razões científicas e " morais" que apelam a que se vote "não" no referendo que terá lugar no próximo dia 11 de Fevereiro.
Talvez porque já vivi experiências de grande emoção, geradoras de uma fragilidade imensa, onde se misturam sentimentos de culpa e necessidade de quase exorcizar a dor provocada por certos acontecimentos da vida, sinto que com esta constante manipulação de sentimentos, onde se pretende desligar a razão da emoção, como se ambas não fossem parte daquilo que somos, os apoiantes do "não" tentam desesperadamente ganhar terreno, captar indecisos e contribuir para a abstenção.
Os apoiantes do "não" vão jogar diariamente com os argumentos mais perversos que sabem que batem fundo numa sociedade como a nossa. A ideia da "pureza da alma", o peso do "pecado mortal", o temor do "juízo final". E vão hipocritamente dizer que nenhuma mulher está ou vai ser presa, que tudo isso são fantasias, que o que é preciso é ajudar as mulheres a terem condições para criarem as suas crianças, como se, só elas e, apenas elas, fossem as responsáveis da sua existência, e a opção da mulher fosse coisa do demónio.
Nos contactos que tenho tido na rua com as pessoas, tenho podido constatar a confusão de sentimentos que esta discussão está a provocar, e ainda a procissão vai no adro, porque o que se vai seguir é, o tempo do vale tudo.
Acho por isso importante contrapor serenidade máxima e intolerância mínima ao imenso ruído que irá estar presente em toda a comunicação a este propósito. A unidade de todas as vontades, que querem pagar a imensa divida ética que a sociedade tem para com as mulheres, é absolutamente necessária. É preciso contar com todas e todos, dos católicos aos protestantes, aos ateus e agnósticos, dos comunistas, socialistas, aos sem partido.


É preciso que em cada dia se explique que:
Ser favorável à descriminalização do aborto, não é incompatível com a opção individual de não se ser capaz de praticar um aborto porque cada uma é dona da sua consciência.
Ser favorável à descriminalização do aborto não é incompatível com a religião que se professa porque todas elas se baseiam na tolerância e no respeito pelo próximo.
Ser favorável à descriminalização do aborto não é incompatível com o partido político em que se milita porque nenhum deles obriga à fidelização da consciência e da liberdade individual.
Ser favorável à descriminalização do aborto é defender uma sociedade onde se deve acertar o passo com a história, que mulheres e homens vão tecendo no tear da vida.
Ser favorável à descriminalização do aborto é estar contra a indignidade do drama das mulheres em tribunal, em públicos julgamentos de humilhação, depois de perseguidas em caçadas policiais como criminosas.
Ser favorável à descriminalização do aborto é a única forma de evitar que as mulheres sejam presas, porque mantendo a actual lei serão sempre presas para cumprir a lei.
Ser favorável à descriminalização do aborto é a única forma de acabar com o negócio sórdido do aborto clandestino, que é um verdadeiro atentado à saúde e dignidade das mulheres, porque a lei obrigará a que seja feito em estabelecimento oficial de saúde.
Ser favorável à descriminalização do aborto é romper com uma cultura que nos propõe que a roda da história fique no mesmo lugar e só avance quando subordinada aos ditames dos senhores donos do mundo.


Acredito sinceramente que todos os movimentos do SIM irão ser capazes de, com toda a serenidade, toda a confiança, toda a tolerância fazer uma discussão séria que faça virar a página tão deploravelmente escrita nos julgamentos de Aveiro, da Maia e de Setúbal.
Acredito sinceramente que no dia 12 de Fevereiro acordaremos com a alegria de quem foi capaz de fazer " A liberdade passar por aqui".