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terça-feira, janeiro 13, 2009

REQUIEM POR ISRAEL
- a opinião do Professor Boaventura de Sousa Santos
Uma leitura atenta dos textos dos sionistas fundadores do Estado de Israel revela tudo aquilo que o Ocidente hipocritamente ainda hoje finge desconhecer: a criação de Israel é um ato de ocupação e como tal terá de enfrentar para sempre a resistência dos ocupados; não haverá nunca paz, qualquer apaziguamento será sempre aparente, uma armadilha a ser desarmada.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

DEPOIS DO MASSACRE, MENTIRAS REPETEM-SE
Em artigo publicado no The Independent, o jornalista Robert Fisk acusa o governo israelita de contar mentiras para tentar justificar as atrocidades cometidas em Gaza.

"O que surpreende é que tantos líderes ocidentais, tantos presidentes e primeiros-ministros e, temo, tantos editores e jornalistas tenham acreditado na mesma velha mentira: que os israelitas algum dia se tenham preocupado em poupar civis", escreve.
Da Redação da
Carta Maior
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domingo, novembro 09, 2008

A AVALIAÇÃO DE QUE A ESCOLA PRECISA MESMO
- A OPINIÃO DE MIGUEL PORTAS
A

A manifestação foi ainda maior do que a anterior, que já tinha sido gigantesca.
A pergunta, inteiramente legítima, à luz das declarações da ministra nos telejornais, é muito simples: quantos mais terão que ser para que a senhora oiça? Ou ouça, que dos dois modos se pode dizer e escrever.
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terça-feira, outubro 28, 2008

A LUTA TODA DOS SINDICATOS
CONTRA O CÓDIGO LABORAL
- a opinião de Francisco Louçã
É preciso reconhecer que, na situação difícil da luta dos trabalhadores, com ameaças e pressões patronais, com o medo da crise e do aumento do despedimento, com a maioria absoluta de Sócrates, a luta está insuficiente para responder ao Código. A chave da luta social é por isso a acumulação de forças, o alargamento da mobilização e da solidariedade, o esclarecimento das ameaças que estas leis representam.
Ler mais no portal Esquerda

segunda-feira, setembro 29, 2008

"A CRISE DE WALL STREET EQUIVALE À QUEDA DO MURO DE BERLIM" - opinião do Nobel da Economia Joseph Stiglitz
Para o prémio Nobel de Economia de 2001, a crise financeira que atingiu Wall Street e os mercados financeiros de todo o mundo equivale, para o fundamentalismo de mercado, ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. "Ela diz ao mundo que esse modelo não funciona. Esse momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas", diz Stiglitz.
Entrevista a Joseph Stiglitz, publicada na Carta Maior

sábado, setembro 27, 2008

O IMPENSÁVEL ACONTECEU
- a opinião do Professor Boaventura Sousa Santos
O Estado que regressa como solução é o mesmo Estado que foi moral e institucionalmente destruído pelo neoliberalismo, o qual tudo fez para que sua profecia se cumprisse: transformar o Estado num antro de corrupção. Isto significa que se o Estado não for profundamente reformado e democratizado em breve será, agora sim, um problema sem solução.

segunda-feira, julho 28, 2008

"POR ONDE ANDA A DEMOCRACIA?"
- a opinião de Mário Crespo, publicada pelo JN

Pronto! Finalmente descobrimos aquilo de que Portugal realmenteprecisa: uma nova frota de jactos executivos para transporte degovernantes. Afinal, o que é preciso não são os 150 mil empregos queJosé Sócrates anda a tentar esgravatar nos desertos em que Portugal sevai transformando. Tão-pouco precisamos de leis claras que impeçam quepropriedade pública transite directamente para o sector privado sempassar pela Partida no soturno jogo do Monopólio de pedintes eespoliadores em que Portugal se tornou. Não precisamos de nada disso.Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactosporque aviões executivos 'assim' como aqueles que temos já não há 'nemna Europa nem em África'. Ler mais...

domingo, junho 08, 2008

OPINIÃO

A CULTURA DO LUDÍBRIO
- a opinião de Boaventura Sousa Santos Santos

O ex-secretário de imprensa do Presidente Bush, Scott McClellan, acaba de publicar um livro intitulado "O que Aconteceu: Dentro da Casa Branca de Bush e a Cultura do Ludíbrio em Washington". O furor político e mediático que causou decorre de duas revelações.
Artigo completo de Boaventura de Sousa Santos publicado na Visão em 5 de Junho de 2008, acessível em Centro de Estudos Sociais

domingo, janeiro 06, 2008

OS COMBOIOS DO FUTURO

O FUTURO COMBOIO
DE ALTA VELOCIDADE COMUNITÁRIO
- A opinião de Rui Curado Silva, investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra

Os caminhos-de-ferro europeus foram em grande medida construídos em função das tensões e dos receios entre os diferentes estados do continente. As regras, as normas e a sinalização eram intencionalmente diferenciadas em cada país de modo a complicar a utilização das linhas no caso de uma tentativa de invasão por um país vizinho. Entre França e a península Ibérica existe uma diferença na bitola das linhas-férreas. A alavanca para acelerar encontra-se do lado direito do maquinista francês e o travão do lado esquerdo, num comboio alemão acontece exactamente o contrário. Exemplos de incompatibilidades deste género são múltiplos em toda a Europa, que têm como consequência complicar a livre circulação de pessoas e de mercadorias através da rede ferroviária da União Europeia.

O projecto MODTRAIN (Innovative Modular Vehicle Concepts for an Integrated European Railway System) tem por objectivo anular os referidos obstáculos históricos entre as diferentes redes ferroviárias europeias, através da construção de carruagens modulares adaptáveis às normas de cada país. O MODTRAIN foi concebido para que os componentes funcionais (como botões de portas e de emergência) sejam facilmente compreensíveis pelos cidadãos de toda a Europa, as interfaces mecânicas sejam compatíveis com todas as normas existentes, o sistema de sinalização seja compatível com as regras de cada país e as carruagens possam ser conduzidas facilmente por um maquinista oriundo de qualquer nação europeia. Outro objectivo do MODTRAIN é a banalização do conceito de alta velocidade, permitindo este tipo de carruagens que um simples intercidades possa atingir os 300 km/h em todas as linhas-férreas da Europa. O MODTRAIN é também inovador no nível de segurança que oferece aos passageiros e no conforto para deficientes e pessoas com mobilidade reduzida.

O orçamento total do projecto é de 30,4 milhões de euros, sendo 16,9 milhões financiados pelo Sexto Programa Quadro e o restante financiado pelos 37 parceiros do projecto, entre os quais se encontra uma instituição portuguesa: o Instituto Superior Técnico. Este é um bom exemplo de uma solução europeia em que a soma do esforço comum é largamente superior à soma dos esforços das partes isoladas.

terça-feira, novembro 06, 2007

PAQUISTÃO

UM NOVO PASSO PARA A NOITE ESCURA
- a opinião de Tariq Ali

Para quem esteja por dentro da história do Paquistão, a decisão dos militares de impor o estado de emergência não traz qualquer surpresa. A lei marcial neste país tornou-se um antibiótico: para obter os mesmos resultados, é preciso duplicar as doses. Foi o golpe dentro do golpe.

Leia aqui o artigo completo, originalmente publicado no Independent

domingo, novembro 04, 2007

OPINIÃO

O ESTATUTO DO ALUNO
É UM PRESENTE ENVENENADO

- a opinião de Reinaldo Amarante

"... Para a ministra da Educação, o novo estatuto combaterá, justamente, o absentismo, porque dará uma nova oportunidade aos alunos que, de outra forma sairiam automaticamente do sistema...." (in
www.sapo.pt, 02/11/2007)

Falamos de alunos que não vão injustificadamente às aulas e que, por consequência, "chumbam" ou ficam retidos, como se diz agora. Pelo que percebi, a palavra final vai passar para o Conselho Pedagógico, dentro do muito democrático espírito da autonomia das escolas. Fica bem ao PS o "recuo", fica bem a senhora ministra que não se sente desautorizada e ficam bem as escolas que ficam com a sua "autonomia" reforçada.

Para a senhora ministra é "... uma nova oportunidade aos alunos que, de outra forma sairiam automaticamente do sistema...".

Qualquer pessoa que esteja dentro do sistema e sabe como funcionam as escolas efectivamente (seja professor ou não), sabe que para ultrapassar o limite de faltas o aluno faltou injustificadamente tudo quanto tinha direito por lei (3 vezes as aulas semanais da disciplina), mais as "justificações" mal amanhadas pelo encarregado de educação, assinadas eventualmente pelo próprio aluno..., mais as faltas que o professor da disciplina "esqueceu" de marcar e outras tantas que "retirou" a pedido do Director de Turma, porque, "... coitado do menino... tem problemas em casa...". Já não se fala de quando o aluno é suspenso disciplinarmente porque esses dias não contam como faltas.
Até chegar à tão polémica prova de recuperação o aluno já teve dezenas de oportunidades. O que é mais uma?
Agora, passar a palavra final para o Conselho Pedagógico é... Um PRESENTE ENVENENADO! É sabido que os Professores vão passar a ser avaliados também pela taxa de sucesso e de abandono escolar dos alunos. Isto parece maquiavelismo puro.
No entanto, a questão é simples. O aluno TEM de passar. Com faltas ou sem elas, com aproveitamento ou não. Qual é o Conselho Pedagógico que vai votar pela retenção do aluno sabendo que lhe vão pedir contas dos chumbos e dos abandonos? Desculpem a expressão, mas é "...dar tudo e oito tostões" para o aluno ficar e passar e "salve-se quem puder".

domingo, maio 13, 2007

OPINIÃO

ÁFRICA, 2057

- A opinião de Immanuel Wallerstein

O ano de 2007 marca o quinquagésimo aniversário das independências africanas. Retiro esta data de 6 de Abril de 1957, quando a colónia britânica de Gold Coast se tornou o Estado independente do Ghana, a primeira colónia do que então se chamava a África subsaariana a obter este estatuto. O líder do movimento vitorioso na luta pela independência foi Kwame Nkrumah.
O mundo saudou este dia como sendo uma importante página virada na história da África, e enviou os seus líderes às comemorações em Accra. A Grã-Bretanha enviou a princesa de Kent e o primeiro-ministro, Sir Harold Macmillan. Os Estados Unidos mandaram o vice-presidente Richard Nixon.

Leia aqui o artigo completo de Immanuel Wallerstein

sábado, maio 12, 2007

A OPINIÃO DE REINALDO AMARANTE

Os novos horários da CP:

Falta de sensibilidade?
Ou de respeito?

Não se trata de uma questão de habituação, como já ouvi dizer para aí. Para os milhares de utentes que são obrigados a usar o comboio, que para chegarem às nove ao emprego tinham de levantar às seis, ou até antes, levantar mais cedo ainda, não é um problema de habituação: é um PROBLEMA SOCIAL!

A vida dessas pessoas já é tão difícil e apertada que, essa meia hora mais cedo a levantar (ou meia hora mais tarde a chegar a casa) significa menos meia hora para estar com os filhos, para organizar a vida da casa (refeições, limpezas, roupa, etc...) para o dia seguinte.
Pode parecer algo demasiado proverbial, mas tem repercussões sociais. Protestar por meia hora que seja não é pois uma esquisitice ou má-vontade. As pessoas não são máquinas. A capacidade de adaptação tem limites. Ao não levar em conta os legítimos interesses desta franja da população, a CP demonstra uma enorme falta de sensibilidade e de respeito por quem, afinal, também faz andar os comboios.

Reinaldo Amarante

sexta-feira, abril 20, 2007

OPINIÃO

A NOITE E O RISO
A OPINIÃO DE JOÃO TEIXEIRA LOPES
Pacheco Pereira reiterou, recentemente na sua coluna no jornal Público, uma velha teimosia. Na verdade, sempre que se denunciam os crimes da extrema-direita, este intelectual orgânico do novo velho conservadorismo não resiste à tese dos espelhos.
Se a extrema-direita se torna potencialmente perigosa, tal deve-se, nem mais nem menos, aos culpados do costume: aos jornalistas, sedentos de negócios e audiências, e aos activistas de esquerda, que protestam contra algo que, de acordo com Pacheco Pereira, deveria ficar no silêncio da passividade e da resignação. De acordo com a teoria da amplificação e intensificação artificial da extrema-direita, os seus delitos, actos de propaganda e crimes não constituem, na verdade, preocupação. Desde que não se fale nele, o monstro não medrará.
Ver aqui o texto de opinião completo

segunda-feira, março 19, 2007

OPINIÃO

TEMPORARIAMENTE ALUGADO
OU ETERNAMENTE PRECÁRIO?

A OPINIÃO DA DEPUTADA MARIANA AIVECA

A resposta a esta pergunta será dada a partir de amanhã, terça-feira, se o Partido Socialista impuser, na discussão da especialidade na comissão de trabalho da AR e na votação final em plenário a 28 de Março, a aprovação do "seu" novo regime do trabalho temporário: Precário/a toda a vida.
A resposta terá o rosto de muitas e muitos jovens, menos jovens, formados e qualificados, imigrantes de todas as cores, ou simplesmente indiferenciados, que aceitam um trabalho que, supostamente como o próprio nome indica, deveria ser para tarefas ocasionais e esporádicas.
Mas do que se trata é de aceitar ser contratado por uma empresa, que de seguida o cede a outra, com quem acertou o valor do serviço que ele/a presta, pagando-lhe uma pequena parte e arrecadando o resto. Engordando mais e mais à sua custa, não assumindo os encargos sociais, porque muitas vezes trabalham indevidamente a recibo verde, nem reconhecendo os direitos laborais da empresa onde são colocados/as, porque não são da empresa, são simplesmente alugados.


QUATROCENTAS MIL VIDAS PRECÁRIAS
A resposta terá o universo de pelo menos 400 mil pessoas distribuídas por 250 empresas de trabalho temporário registadas em Portugal, que apresentam um volume negócios de cerca de 1,5 biliões de euros, tendo muitas delas dívidas ao fisco e à Segurança Social.
A resposta terá a marca da instabilidade da vida, do medo de ficar sem o sustento mínimo, a troco do qual se aceitam as mais precárias condições de trabalho e se acatam "ordens " de vários patrões, uma vez que hoje se pode ser colocado numa empresa, amanhã noutra. Terá a marca de muitas histórias de expectativas frustradas, de perseguição, de abusos de poder, de pressões para que se calem injustiças.
Ainda recentemente testemunhei, junto dos/as trabalhadoras da Sonastel, histórias contadas com lágrimas nos olhos na hora de ir embora.
Fazem parte, e contribuem para essa resposta, empresas tão conhecidas como a Optimus, com o seu " chefe mor" Belmiro de Azevedo da lista dos 500 mais ricos do mundo, a Vodafone de Carrapatoso, a Cifial de Ludgero Marques, a Sonastel, a Select/Vedior e muitas, muitas mais que todos os dias, em anúncios de jornais, oferecem "salário compatível com a função", prometem " um conjunto de regalias extra contratuais", mas é sempre exigido carro, carta de condução, disponibilidade total de horário, de funções e de mobilidade, em suma: "oferecem um chouriço a quem em troca lhes der um porco inteiro".
É exactamente a estes senhores, donos e senhores destas empresas, onde os direitos se esmagam, a precariedade é regra nobre e única, e a cidadania se combate, que o PS vai fazer o frete com as leis que se prepara para aprovar.
É a maior precarização, uma vez que generaliza a duração máxima de 2 anos de todos os contratos.


TODA A VIDA NA "CORDA BAMBA"
O trabalhador deixa assim de poder ter vínculo efectivo com a empresa de trabalho temporário. Por outro lado, com a figura criada de cedência temporária de trabalhadores admitidos com contrato de trabalho por tempo indeterminado, sem sujeição a limites temporais, eterniza as respectivas situações de cedência, num claro reforço da tutela das empresas de trabalho temporário.
O Partido Socialista aposta claramente em colocar os jovens de hoje, a geração mais qualificada que este país já teve, numa interminável corda bamba, em casa, à espera que o telefone toque, para poderem trabalhar por períodos incertos e em trabalhos desqualificados.
Exigia-se do Partido Socialista, que se diz de esquerda e prometeu políticas de esquerda, uma lei que pusesse um travão às práticas de dumping e aos lobbies deste sector. Mas a resposta a estas políticas não se fará certamente esperar.


Acredito que um dia José Sócrates acordará com um imenso grito de protesto que lhe dirá - nem alugados, nem temporários, nem precários. Somos todos PERMANENTES, homens e mulheres de corpo inteiro.

(Subtítulos e sublinhados nossos)

domingo, fevereiro 04, 2007

OPINIÃO

FORUM SOCIAL MUNDIAL: DA DEFESA À OFENSIVA
- A opinião de Immanuel Wallerstein

O Fórum Social Mundial (FSM) reuniu-se em Nairobi, Quénia, entre 20 e 25 de Janeiro. A organização, fundada como uma espécie de anti-Davos, amadureceu e evoluiu mais ainda do que julgam até os seus próprios participantes. Desde o começo, o FSM tem sido o ponto de encontro de uma ampla gama de organizações e de movimentos de todo o mundo que se definiram como opostos à globalização neoliberal e ao imperialismo em todas as suas formas. O seu lema tem sido "um outro mundo é possível", e a sua estrutura um espaço aberto sem oficiais, porta-vozes ou resoluções. O FSM é contra a globalização neoliberal e o termo alterglobalistas foi cunhado para definir a postura dos seus proponentes - um outro tipo de estrutura global.

Pode ler todo o artigo aqui

terça-feira, janeiro 09, 2007

OPINIÃO QUE CONTA... PELO "SIM" NO REFERENDO

SERENIDADE MÁXIMA, INTOLERÂNCIA ZERO!
- A opinião da deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Aiveca

Somos diariamente confrontados com imagens chocantes, cartazes com frases arrepiantes, noticias e mensagens invocando razões científicas e " morais" que apelam a que se vote "não" no referendo que terá lugar no próximo dia 11 de Fevereiro.
Talvez porque já vivi experiências de grande emoção, geradoras de uma fragilidade imensa, onde se misturam sentimentos de culpa e necessidade de quase exorcizar a dor provocada por certos acontecimentos da vida, sinto que com esta constante manipulação de sentimentos, onde se pretende desligar a razão da emoção, como se ambas não fossem parte daquilo que somos, os apoiantes do "não" tentam desesperadamente ganhar terreno, captar indecisos e contribuir para a abstenção.
Os apoiantes do "não" vão jogar diariamente com os argumentos mais perversos que sabem que batem fundo numa sociedade como a nossa. A ideia da "pureza da alma", o peso do "pecado mortal", o temor do "juízo final". E vão hipocritamente dizer que nenhuma mulher está ou vai ser presa, que tudo isso são fantasias, que o que é preciso é ajudar as mulheres a terem condições para criarem as suas crianças, como se, só elas e, apenas elas, fossem as responsáveis da sua existência, e a opção da mulher fosse coisa do demónio.
Nos contactos que tenho tido na rua com as pessoas, tenho podido constatar a confusão de sentimentos que esta discussão está a provocar, e ainda a procissão vai no adro, porque o que se vai seguir é, o tempo do vale tudo.
Acho por isso importante contrapor serenidade máxima e intolerância mínima ao imenso ruído que irá estar presente em toda a comunicação a este propósito. A unidade de todas as vontades, que querem pagar a imensa divida ética que a sociedade tem para com as mulheres, é absolutamente necessária. É preciso contar com todas e todos, dos católicos aos protestantes, aos ateus e agnósticos, dos comunistas, socialistas, aos sem partido.


É preciso que em cada dia se explique que:
Ser favorável à descriminalização do aborto, não é incompatível com a opção individual de não se ser capaz de praticar um aborto porque cada uma é dona da sua consciência.
Ser favorável à descriminalização do aborto não é incompatível com a religião que se professa porque todas elas se baseiam na tolerância e no respeito pelo próximo.
Ser favorável à descriminalização do aborto não é incompatível com o partido político em que se milita porque nenhum deles obriga à fidelização da consciência e da liberdade individual.
Ser favorável à descriminalização do aborto é defender uma sociedade onde se deve acertar o passo com a história, que mulheres e homens vão tecendo no tear da vida.
Ser favorável à descriminalização do aborto é estar contra a indignidade do drama das mulheres em tribunal, em públicos julgamentos de humilhação, depois de perseguidas em caçadas policiais como criminosas.
Ser favorável à descriminalização do aborto é a única forma de evitar que as mulheres sejam presas, porque mantendo a actual lei serão sempre presas para cumprir a lei.
Ser favorável à descriminalização do aborto é a única forma de acabar com o negócio sórdido do aborto clandestino, que é um verdadeiro atentado à saúde e dignidade das mulheres, porque a lei obrigará a que seja feito em estabelecimento oficial de saúde.
Ser favorável à descriminalização do aborto é romper com uma cultura que nos propõe que a roda da história fique no mesmo lugar e só avance quando subordinada aos ditames dos senhores donos do mundo.


Acredito sinceramente que todos os movimentos do SIM irão ser capazes de, com toda a serenidade, toda a confiança, toda a tolerância fazer uma discussão séria que faça virar a página tão deploravelmente escrita nos julgamentos de Aveiro, da Maia e de Setúbal.
Acredito sinceramente que no dia 12 de Fevereiro acordaremos com a alegria de quem foi capaz de fazer " A liberdade passar por aqui".

sexta-feira, janeiro 05, 2007

OPINIÃO QUE CONTA

QUE NOVA ESTRATÉGIA PARA O IRAQUE ?
- a opinião de Immanuel Wallerstein

O presidente George W. Bush vem proclamando desde há um mês que está à procura de uma "nova estratégia" para a "vitória" no Iraque, e que está a fazer consultas amplas sobre que estratégia deve ser essa. Dadas todas as pistas e informações que chegam, são poucos os que estão de respiração suspensa à espera do discurso presidencial que vai revelar as suas decisões.

A nova estratégia promete ser a velha estratégia, talvez com a diferença de um pequeno aumento de tropas americanas em Bagdad.
É verdade que o presidente admitiu pela primeira vez que os Estados Unidos ainda não estão a ganhar no Iraque, mas, diz ele, também não estão a perder. O número de pessoas que acredita nisto, nos Estados Unidos e fora, é cada vez menor. Um sondagem feita no início de Dezembro em seis nações ocidentais mostra que 66% dos americanos estão a favor da retirada das forças da coligação, e na Itália, Alemanha, Inglaterra, Espanha e França, estes números vão de 73% a 90%. Como o Financial Times disse num editorial, "Raras vezes os Estados Unidos tiveram tanta necessidade de amigos e de aliados."
E, em 7 de Dezembro, aniversário de Pearl Harbour, um senador republicano, Gordon Smith, que tinha apoiado a guerra desde o início, anunciou a mudança de posição. "Eu, pela minha parte, estou no fim da linha quando se trata de apoiar uma política que mantém os nossos soldados a patrulhar as mesmas ruas, da mesma maneira, fazendo-se explodir pelas mesmas bombas, dia após dia. Isto é absurdo. Pode até ser criminoso. Já não posso apoiar mais isto."


Por que está Bush a fazer esta grande encenação sobre uma nova estratégia, quando tenciona claramente continuar a antiga?
Duas razões: as eleições de Novembro, e o relatório Baker-Hamilton. As eleições mostraram a Bush que a política do Iraque causou um sério desgaste na força eleitoral do Partido Republicano. Será claramente preciso mais do que despedir Donald Rumsfeld para reverter a actual queda livre dos candidatos republicanos, particularmente se 2007 trouxer aumento nos números de baixas no Iraque, se trouxer uma limpeza étnica crescente, uma maior queda do dólar e um maior declínio dos padrões de vida dos 80% mais pobres da população dos EUA.

Quanto ao relatório Baker-Hamilton, a sua frase inicial é "A situação no Iraque é grave e está a deteriorar-se." Discutiu-se muito se este relatório do Grupo de Estudos do Iraque poderia convencer Bush a seguir as suas inúmeras, e nem todas ousadas, sugestões de mudança. Mas este nunca foi o seu objectivo. Nem Baker nem Hamilton são bobos. Ambos são velhos profissionais da política dos EUA. O objectivo do relatório era legitimar as críticas do establishment tradicional do centro da vida política americana, e claramente conseguiu-o. Observem a declaração do senador Smith. Observem o crescente arrojo dos oficiais militares quando tornam público o seu cepticismo.

O que vai então acontecer?
Bush vai optar pelo plano de ampliar o número de tropas americanas. Como foi assinalado por todos os comentadores sérios, isto não vai fazer qualquer diferença. Claro, se os EUA mandassem 300 mil soldados, talvez conseguissem esmagar tanto a insurgência quanto a guerra civil. Mas enviar mais 30 mil soldados será uma incrível pressão sobre o estado e a moral dos militares americanos. Em Junho de 2007, o mais tardar, ficará claro até para o mais teimoso cego, como George W. Bush e os neoconservadores sobreviventes, que os Estados Unidos estão num beco sem saída e feridos de morte.

Mas então porque é que Bush não abandona logo esta estratégia que tanto prejuízo lhe dá?
Não pode. Toda a sua presidência gira em torno da guerra do Iraque. Se ele tentar reduzir as perdas, estará a admitir que é o responsável por um desastre nacional. Por isso, não tem escolha senão tentar prosseguir o bluff até 2009, e entregar o desastre a outro. Quer dizer: não há escolha que seja aceitável por ele. Mas Bush vai aprender uma coisa nos próximos 18 meses. A situação está fora de controle e até o presidente dos Estados Unidos pode ser forçado a fazer coisas que acha abomináveis.


Em primeiro lugar, há a pressão do eleitorado dos EUA e consequentemente dos políticos. O número de republicanos racionais e de democratas tímidos que querem distância da guerra cresce diariamente. Já podemos observar este fenómeno nas declarações do senador Joseph Biden - um dos senadores democratas mais conservadores, e próximo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado - de que fará audições (audições claramente hostis) sobre os objectivos de um aumento de tropas no Iraque. O meu palpite é que, na acalorada disputa democrata sobre a nomeação presidencial, haverá um impulso - lento, no início e depois muito acelerado - para uma posição abertamente antiguerra. Vemos isto nas posições que estão a ser assumidas pelos aspirantes à nomeação Barack Obama e John Edwards. Hillary Clinton não estará muito tempo atrás deles. E, quando isso acontecer, ou os aspirantes republicanos seguem o mesmo caminho ou condenam-se à derrota eleitoral.

Além disso, há os generais. Parece que o novo Secretário da Defesa, Robert Gates, recebeu o encargo de pôr os militares dissidentes na linha. O general John Abizaid vai-se "reformar" dentro de poucos meses e o general George Casey tem atenuado a sua oposição aberta. O próprio Gates teve provavelmente de engolir muitos sapos para seguir esta política. Quanto tempo isto vai durar? Seis meses no máximo.

A vida é difícil para um comandante-em-chefe que perde as guerras. Isto vale para todos os lados e todos os tempos. Não vai ser diferente nos Estados Unidos da América.

Immanuel Wallerstein
1/1/2007

terça-feira, dezembro 26, 2006

OPINIÃO QUE CONTA

DÉFICE
- 2006 visto por Luís Fazenda
O défice orçamental é o pretexto e a linha política. Na sequência dos governos da direita a diminuição do défice é feita à conta de cortes nos serviços públicos essenciais, no investimento público reprodutivo, nos impostos sobre o consumo.
4,6 % do Produto Interno Bruto foi o número fetiche do ano: nem pensar em impostos a sério para o capital financeiro, as fortunas, ou medidas de investimento público que dinamizassem a economia e o emprego, aumentando a receita pública. Nem um único sobressalto pelo facto de 20% do produto não ser taxado. 4,6% extorquido às condições de vida do povo, Como os anunciados 3,7 % para 2007.
O défice é o pretexto para "Portugal não ficar fora da Europa": esconde a linha política de privatizações, favores crescentes aos grupos empresariais, desenvolvimento de mercados privados em torno da oferta de saúde e de educação.
O défice foi o pretexto para manter o desemprego acima dos 7% da população activa ( números oficiais sub-avaliados), quase meio milhão de pessoas sem trabalho. O défice foi o pretexto para desencadear um ataque generalizado ao poder de compra dos salários, no sector público ou no mercado de trabalho.
O resultado, em 2005 e 2006, é o agravamento dos índices de pobreza em Portugal, a desvalorização do salário médio e o aumento claro da desigualdade social. Para um governo que se diz "de esquerda" não está mal, como se vê...
O governo não quis renegociar as condições do Pacto de Estabilidade na União Europeia porque quer levar a cabo o "ajustamento estrutural" da economia, como lhe reclamam o sectores financeiros, metendo medo com os castigos de Bruxelas. Isso não chegou porém.E tal como Salomé pediu a cabeça do Profeta numa bandeja, lá veio o ataque à segurança social: baixou 20% em média o valor da formação das pensões e encapotou um aumento da idade da reforma. O risco social é paulatinamente entregue aos fundos de pensões das seguradoras para quem pode fugir de pensões de miséria do sistema público.
Esta política deixou os partidos da direita sem espaço próprio e entregues às suas crises. Sócrates , contudo, sublinhou no parlamento, com visível agrado, que o actual governo fez aquilo que os outros prometiam mas não cumpriam. Esta sinceridade tem sido recompensada pelo Presidente da República - todos com o "ímpeto reformista"! A dupla liberal Cavaco/Sócrates passa ao lado e agrava o maior défice do país: o défice social. Não por acaso os assuntos fortes das campanhas eleitorais de ambos.
DEMAGOGIA
O governo PS mantém uma pressão forte sobre a opinião pública. Primeiro, tentando dividir sectores populares, apresentando uns como privilegiados e outros como prejudicados. Este efeito já diminuiu porque entretanto as medidas negativas já tocaram a todos. É difícil apresentar um país inteiro como uma imensa "corporação"e os rapazes da Sonae como anjos da guarda.
Sobretudo, o governo artilha a manipulação das expectativas sociais com o discurso da inevitabilidade das medidas. Este é o governo que corta na segurança social para defender o estado social, imagine-se! Os cortes na saúde, na educação, no subsídio de desemprego, o que seja, são todos para defender sistemas públicos, imagine-se! O governa especula com o medo social. "Antes hoje alguma coisa do que amanhã coisa nenhuma" é o slogan ministerial. Funciona, mas é reaccionário. A rejeição deste terrorismo ideológico é a primeirissima causa democrática dos direitos sociais.
Percebendo isso, o PS tenta arvorar consciência social com o complemento solidário para idosos ou com o acordo do salário mínimo. Não há que ter dó. O complemento de reforma beneficia um número pequeno de pessoas, no fínal de 2007 cerca de 5% dos reformados. O salário mínimo mantém-se dos mais baixos da Europa e abaixo da Grécia, Eslovénia e Malta.
Os governos de Cavaco introduziram o 14º mês de pensão para os reformados e o novo sistema retributivo para a função pública.Os governos de Guterres trouxeram o rendimento mínimo e a educação pré-escolar. Essas foram medidas com impacto social muito significativo e, no entanto, não alteraram a característica de governos que foram cumpridores do curso do neo-liberalismo. O governo de Sócrates, em cerca de dois anos, não tem nada de realizado ou anunciado que se aproxime sequer dos exemplos mencionados.
A demagogia feita pelo brinde fácil anda ao nível da loja dos trezentos. O que sobra é mesmo a demagogia da intimidação sobre as vidas precárias.

DESGASTE
2006 assistiu a um pico de luta social. Manifestações e greves marcaram a contestação. A megamanifestação da CGTP, em Outubro, provocou dores de cabeça ao governo. Na sequência, Sócrates saiu com ameaças no congresso do PS. O primeiro-ministro não gosta da voz da rua. Mas é essa voz da rua, exactamente, que vai contrariar a liquidação total do estado social. É a voz da rua que vai afirmar que o défice social tem rostos, tem vítimas que o robótico ministro das finanças desconhece. A defesa dos serviços públicos, afigura-se como uma batalha prolongada onde o governo pode perder a pele. O desgaste do governo, a passagem de muitos cidadãos do luto pelo PS para a luta pelos direito sociais, essa é a via para paralisar o "ímpeto reformista" e para discutir outras soluções que não sejam mais-do-mesmo. 2007 - a inquietação pela rua, certamente com uma luta social mais confiante após a vitória do sim no referendo de 11 de Fevereiro pela despenalização do aborto. Novo ano, ímpetos diferentes.
in www.esquerda.net 23/12/2006

segunda-feira, dezembro 18, 2006

A OPINIÃO DE IMMANUEL WALLERSTEIN

TURBULÊNCIA NO MÉXICO:
Sublevação ou guerra civil?
O subcomandante Marcos disse no mês passado que o México está "à beira de uma grande sublevação ou de uma guerra civil." Ele está a prosseguir a "outra campanha" lançada pelos Zapatistas. E Andrés Manuel López Obrador, candidato do Partido da Revolução Democrática (PRD) nas eleições de 2 de Junho de 2006, afirmou abertamente, e com grande apoio público, que a sua eleição foi roubada. Recusou-se a reconhecer Felipe Calderón, que fez o juramento presidencial em 1 de Dezembro, e instalou a sua própria estrutura paralela, o "governo legítimo" - com sede, ministros e representantes em cada região. Entretanto, o que começou antes como uma greve de professores em Oaxaca transformou-se num levantamento geral anti-capitalista. A cidade foi tomada e passou a ser governada por uma estrutura que adoptou o nome de Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) e que exigiu a demissão do governador provincial do PRI, um sujeito chamado Ulisses Ruiz. As polícias estadual e federal acabaram por entrar na cidade à força, pondo fim à sublevação e prendendo os líderes da APPO.
Como é que o vizinho dos Estados Unidos chegou a ponto tal em que o seu governo é activa e vigorosamente denunciado com ilegítimo, e onde se discute se o presidente legal pode realmente cumprir o seu mandato de seis anos, pondo fim a um período de 80 anos de relativa estabilidade política?
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